Museu do Louvre: cenário importante na história de Paris. De residência real a um famoso museu da atualidade. Conheça mais sobre esse magnífico lugar!

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Saber um pouco da história do museu do Louvre, influencia diretamente na sua percepção ao visitá-lo. Uma construção tão antiga, que já atravessou diversas épocas e guerras, sofreu várias ampliações e reformas e hoje é um prédio gigante e incrível. Isso já é de admirar por si só.

Conhecer também as obras expostas faz uma grande diferença na hora de explorar o museu do Louvre. Pois o museu é enorme, e mesmo que você passe um dia inteiro lá, não vai dar conta de visitar todas as salas.

Então esse post tem a intenção de falar mais sobre as coleções e exposições do Louvre. Assim você já tem como saber previamente aquilo que mais lhe interessa. Afinal, há milhares de obras para serem vistas!

Sua história 

A origem do Louvre é por volta de 1190, quando o rei Philippe Auguste decidiu erguer uma fortaleza às margens do rio Sena. Naquela época, o Louvre não estava no coração da cidade, como é hoje, e sim nos arredores. Sua principal missão era proteger e vigiar Paris.

No século XIV, o rei Charles V reformulou o Louvre. Ele foi transformado de fortaleza para residência, com a criação de 300 novos quartos e muitos objetos ornamentais.

Já na guerra dos Cem Anos, especialmente durante a ocupação inglesa em Paris, o Louvre sofreu muito. Inclusive, a coroa cerimonial do Rei Charles VI encontrada quebrada no poço do castelo, exemplifica o período conturbado daqueles dias.

Com o rei Henri II e a rainha Catherine de Médicis (século XV), houve outra reforma completa no Louvre. Novos pavilhões foram construídos, o salão de baile e o famoso jardim de Tuileries.

Nos anos de 1700, o Louvre começou a abraçar cada vez mais a vocação artística. Várias academias de artes francesas reais usavam suas dependências. O rei Louis XV transformou o Louvre em um local de intensa vida artística. Situação que se consolidou em 1737, quando a Academia Real de Pintura e Escultura organizou exposições regulares e o Louvre passou a acomodar a biblioteca real, a ópera e as coleções reais.

Com a Revolução Francesa (1793), o Louvre vira um Museu. Um ato simbólico contra a Monarquia. A ideia era “restaurar à população todas as obras de arte anteriormente reservadas aos tiranos”.

Além disso, desde daquela época, o museu do Louvre era também um centro de aprendizagem. Artistas iam até o museu e reproduziam trabalhos importantes, uma prática que continua hoje. Aliás, quando visitamos, vimos uma senhorinha no corredor, com tela e tinta, reproduzindo uma das obras expostas ali.

“Novo Louvre”, com Napoleão III.

Sala de banquetes nos aposentos de Napoleão.
Sala de banquetes nos aposentos de Napoleão.

Com Napoleão III (neto do Napoleão Bonaparte), houve uma revitalização profunda no museu, que já era tido como um monumento histórico. O Louvre e o jardim de Tuileries foram ligados, houve a contratação de diversos escultores para decorar a fachada e o interior também foi reformado. Muita elegância foi acrescentada ao museu. Mármore no chão e nas paredes, pinturas no tetos, iluminação e novas obras foram adquiridas ou doadas.

“Grand Louvre”, atualmente

A famosa pirâmide
A famosa pirâmide

No ano de 1983, o presidente François Mitterrand propôs a iniciativa do “Grand Louvre”, que resultou na criação da famosa pirâmide de vidro, projetada por Ieoh Ming Pei. Para adequar as instalações aos visitantes foi criada uma área centralizada no subsolo, no coração da Cour Napoléon. O prédio, que ainda abrigava instalações de outros departamentos (como o Ministério da Fazenda) foi inteiramente liberado para servir somente como museu.

Finalizado em 1997, o tom adotado no museu do Louvre foi uma abordagem moderna, confortável e discreta das obras. Desde 1993, o museu possui autonomia, quando se tornou uma instituição pública. O museu também está expandindo com a criação de um anexo em Lens e com a fundação de um novo museu, o Louvre Abu Dhabi.

Conhecendo seu interior

No museu do Louvre, o visitante vai descobrir mais sobre a arte oriental, apreciar obras que vão desde a Idade Média até 1848 e conhecer sobre diversas civilizações antigas. Além do próprio palácio que abriga o museu, uma verdadeira lição de arquitetura, projetado por profissionais inovadores e renomados desde 1200 até 2011.

O museu abriga os seguintes segmentos:

Pinturas

Family Portrait por Nicolas de Largillierre (1730) © 2004 RMN/Gerard Blot
Family Portrait por Nicolas de Largillierre (1730) © 2004 RMN/Gerard Blot

A coleção remonta de 1500 (com o rei Francisco I) e é especialmente marcada pelos pintores italianos: Michelangelo, Raphael, Leonardo da Vinci, Rosso e Primaticcio. Na ala Denon, estão as obras italianas e espanholas. Já as escolas francesas e do Norte, ocupam o segundo andar da Cour Carrée e a ala Richelieu.

Antiguidades Egípcias

Khabekhents funerary servant and ushabti chest © 2001 RMN/Franck Raux
Khabekhents funerary servant and ushabti chest © 2001 RMN/Franck Raux

Seção inaugurada em 1827, por influência de Champollion (quem decifrou os hieróglifos egípcios). As antiguidades foram trazidas ao Louvre devido às diversas escavações arqueológicas feitas na época. O arqueólogo francês Mariette, entre 1852 e 1853, enviou 5.964 obras, incluindo a famosa escultura do Escriba Sentado. A coleção revela o culto, as crenças e a vida pública e privada de todo o povo egípcio.

Antiguidades Gregas, Romanas e Etrusco

Artemis with a Doe  © 2011 Musée du Louvre/Thierry ollivier
Artemis with a Doe © 2011 Musée du Louvre/Thierry ollivier

O departamento de antiguidades foi inaugurado em 1793. É formado em torno das antigas coleções reais e foi enriquecido na Revolução Francesca. A sua coleção conta com esculturas decorativas dos séculos 17 e 18 e ilustra a arte de uma vasta área que engloba a Grécia, a Itália e toda a bacia do Mediterrâneo, abrangendo o período do Neolítico (4º milênio a.C.) até o século VI d.C.

Antiguidades Orientais

Frieze of Griffins © 1971 RMN/Droits Réservés
Frieze of Griffins © 1971 RMN/Droits Réservés

A coleção do Departamento de Antiguidades do Oriente decorre de escavações do século XIX na Ásia Ocidental. Foram realizadas por diplomatas e estudiosos franceses que viajaram para as terras Bíblicas em busca das raízes da cultura europeia. O primeiro “Museu Assírio” do mundo abriu no Louvre em 1847. O contexto histórico e geográfico das obras abrange um período de nove mil anos, desde a pré-história até o período islâmico primitivo. Nessa seção encontra-se a obra mais antiga do museu do Louvre, datada de 7.000 anos a.C., a estátua de Ain Ghazal.

Esculturas

Four Captives also known as Four Defeated Nations: Spain, the Holy Roman Empire, Brandenburg, and Holland © 1994 RMN/René-Gabriel OjédaFour Captives also known as Four Defeated Nations: Spain, the Holy Roman Empire, Brandenburg, and Holland © 1994 RMN/René-Gabriel Ojéda
Four Captives also known as Four Defeated Nations: Spain, the Holy Roman Empire, Brandenburg, and Holland © 1994 RMN/René-Gabriel Ojéda

As salas dedicadas às esculturas, foram inauguradas em 1824. Com o passar dos anos, esculturas da época Medieval, Renascença e Moderna foram incluídas na coleção. As esculturas francesas estão no andar térreo da ala Richelieu, dentro e ao redor dos pátios cobertos Puget e Marly. Já, as estrangeiras — italianas, romanas e outras regiões da Europa —, estão no mezanino e no piso térreo da ala de Denon.

Artes Decorativas

Central Medallion of a Carpet ©RMN/Jean-Gilles Berizzi
Central Medallion of a Carpet ©RMN/Jean-Gilles Berizzi

O Departamento de Artes Decorativas é o lar de uma coleção extremamente variada. São joias, talheres, esmaltes, marfins, bronzes, pedras semipreciosas, cerâmica, vidros, vitrais, móveis e tapetes. Ainda há várias peças e móveis que ornavam o próprio Louvre (na época em que era residência dos Reis) e outros palácios da França. Os itens abrangem o período da Idade Média até a primeira metade do século XIX.

Arte Islâmica

Lion de Monzon © 2010 Musee du Louvre dist. RMN/Hugo Dubois
Lion de Monzon © 2010 Musee du Louvre dist. RMN/Hugo Dubois

A exibição dos novos espaços de exposição do departamento fornece uma visão geral da criação artística desde o início do Islã, no século VII, ao início do século XIX. Abrange elementos arquitetônicos, objetos de pedra e marfim, trabalhos em metal, vidro, cerâmica, têxteis e tapetes, manuscritos… Com 14.000 objetos, a coleção do departamento reflete a riqueza e a amplitude da criação artística das terras islâmicas. São 1.300 anos de história e três continentes, da Espanha ao Sudeste Asiático.

Gravuras e Desenhos

Landscape with Two Men Sitting near a Coppice © RMN Grand Palais/M. Urtado
Landscape with Two Men Sitting near a Coppice © RMN Grand Palais/M. Urtado

Essas obras são mais delicadas e exigem uma sala especial com luz e temperatura para conservação. Por esse motivo, há apenas exposições temporárias em alguns dos quartos do museu. Os temas são cartoons italianos, desenhos franceses, pastels, miniaturas, novas aquisições e projetos de pesquisa atuais.

Pavilhão do Relógio

Pavillon de l’Horloge ao fundo
Pavillon de l’Horloge ao fundo

O Pavillon de l’Horloge foi inaugurado em 2016. Sua intenção é de mostrar a história do museu, as coleções e seu funcionamento. Essa exibição está entre Cour Carrée e o Cour Napoléon.

No fosso medieval, piso inferior, o visitante vai ver as ruínas do Louvre. Este espaço mostra como era o museu na época da fortaleza e como se transformou em um palácio real.

No primeiro andar, na Salle de la Chapelle, os visitantes vão descobrir as variadas e ricas coleções do Louvre, a história de como foram estabelecidas e as diferentes trilhas dentro do museu.

Já no segundo andar, os visitantes compreenderão melhor a amplitude do Louvre. Não só informações dos seus projetos e missões atuais (aquisições, restaurações, investigação científica), mas também sobre o museu de Lens e de Abu Dhabi.

 

Espero que esse pequeno guia possa ajudar a entender mais sobre esse lindo lugar: o museu do Louvre! Se você já teve a oportunidade de conhece-lo, quer muito visitar ou ficou alguma dúvida, deixe nos comentários!